História da Família Ficker

Senta que lá vem história!

Cassiane Barbosa M. Ficker

5/7/20265 min read

A Forja e Cutelaria Ficker nasceu em 2.019, pensada e planejada pelo casal Thomas e Cassiane, a partir do resgate do ofício de ferreiro forjador que já está na terceira geração da família Ficker. O ateliê de ofício de forjamento foi montado na Cidade de Santa Luzia/ MG.

Em 2018 Thomas resolveu fazer uma mudança de carreira e considerou fazer o resgate de um ofício de família – a forjaria, atuava como professor universitário, formado em Psicologia, técnico em engenharia e com mestrado em gestão de pessoas.

O bisavô de Thomas, Phillip Martin Ficker era um médico especializado em microbiologia, catedrático da Universidade de Berlim que veio para o Brasil contratado para reestruturar o Instituto Bacteriológico de São Paulo, também foi um dos responsáveis por preparar a primeira vacina para a Tifo no período de 1914 a 1915. Em 1.914 Martin se casou com Elisabeth Hoffmann no Rio de Janeiro. Martin retorna para a Alemanha para dirigir o Instituto de Pesquisas do Tétano. Em Leipzig nascem seus três filhos incluindo Carlos (primogênito em 11 de novembro de 1.916) que em 1.951 se naturaliza brasileiro. Martin retorna ao Brasil após o término da Primeira Guerra Mundial e torna-se chefe do departamento de Microbiologia da Kaiser Wilhelm Gesellschaft (hoje Instituto Max Planck) até a Segunda Guerra Mundial.

Carlos Ficker estudou em São Paulo até o Curso Científico e, em 1.936, vai para Darmstadt na Alemanha estudar Engenharia Mecânica especializada em motores de aeronaves. Em 1.939, com a eclosão da guerra, interrompe os estudos voltando para São Paulo, aonde, em 1.940, abre uma empresa - a “Forja Artística”. Pouco tempo depois foi impedido de comprar aço em função dos desdobramentos da guerra, ficou muito chateado por ter que interromper o negócio. Mais tarde, Carlos monta uma fábrica de móveis a “Lar Rústico”, e, posteriormente a “Móveis Cabana”, encerrando suas atividades comerciais em 1.954. Carlos Ficker muda-se com a família para Joinville em janeiro de 1.955. Ele era autodidata e interessado em pesquisa histórica, tornou-se presidente da Comissão de Constituição do Museu Nacional de Imigração e Colonização entre 1.961 e 1.967, publicou dez (10) obras e diversos cadernos e artigos de jornal entre 1.962 e 1.974. Em 1965 publicou sua obra considerada a mais importante e completa intitulado “História de Joinville, Crônica da Colônia Dona Francisca”.

Após esse início da tradição da forjaria na família, veio a vez de Holger Pedro Ficker, pai de Thomas. Chegamos à 2ª geração do ofício na família, Carlos, que começou trabalhando sem formalização empresarial, abriu sua primeira empresa em Contagem no ano de 1.983, permanecendo por lá por décadas, até transferir sua oficina para Fortuna de Minas, perto de Sete Lagoas, atuando lá até sua morte em 2.015.

A “Forja de Arte Serralheria Artistica” aberta por Holger em 1.983 foi montada com parte do maquinário de seu pai e com o conhecimento das técnicas aprendidas no ceio da família. Ele trabalhou numa linha de produtos de arquitetura, tendo participado, inclusive, do restauro de muitos imóveis tombados que compõem o patrimônio material mineiro, tendo como trabalhos o Coreto da Praça da Liberdade, por exemplo. Carlos, 1ª geração, havia trabalhado em uma linha de produtos de decoração.

Thomas é um empresário e mestre forjador, 3ª geração no ofício de família. A forjaria é a arte de moldar os metais para a produção de diversos objetos de arte ou utilitários como ferramentas. O forjamento se caracteriza como um espetáculo por seus elementos culturais ao apresentar conquistas dos primórdios da humanidade como o fogo e o ofício do ferreiro. A obtenção e o controle sobre o fogo foi um divisor de águas para a humanidade. A criação e domínio do ofício do forjamento essencial para a sobrevivência e desenvolvimento da civilização. O homem dominou diversas atividades e criou recursos e ferramentas úteis ao longo de sua evolução que permitiu-lhes caçar, arar a terra e se defender de ameaças da natureza como também de outras espécies de animais predadores. Dentre elas, a mais importante foi o ofício do forjamento do metal.

Além do resgate da produção artesanal de objetos em metal como equipamentos para lareira, luminárias, castiçais, corrimões, portões, dentre outros, foi agregada a produção de peças de cutelaria pela 3ª geração, a fabricação de instrumentos cortantes como facas, espadas, dentre outros.

Em 2022 foi agregado à linha de produtos da Ficker uma proposta maker - o Experience Day ou Dia na Forja. A proposta é de que qualquer pessoa possa fazer seu próprio objeto, seja de decoração ou cutelaria, por exemplo, em até 8 horas. Pode-se produzir tudo mais que sua imaginação e necessidade puder alcançar a partir do metal puro ou com a mistura de outros materiais. O “dia de forja” ou experience day é um serviço no qual o cliente passa pela experiência de produzir seu próprio objeto, individual ou coletivamente,

Nos três primeiros anos do negócio o casal de empreendedores participou de feiras de artesanato no Expominas, feiras temáticas como Ostara Festival/BH e Prosa Cortante/OP. Em junho de 2022 foi realizada a primeira Feira Mineira de Cutelaria no Mercado Novo/BH, momento em que o casal de empreendedores conheceram esse espaço comercial. O prédio chamou muito a atenção por ser um espaço mais alternativo, frequentado por diversas tribos e ter um aspecto cosmopolitan e urbano, ao mesmo tempo rústico e undergraund, alternativo e criativo. O casal começou então a frequentar esse espaço com o objetivo de melhor compreendê-lo como opção para futuro espaço comercial. Foi possível perceber a presença de muita diversidade de frequentadores, desde famílias que tomavam o brunch e passeavam com objetivo de compras no domingo, grupos de turistas e outros grupos com características bem específicas em dias e horários também específicos com objetivo de entretenimento, happyhour, beber e comer. Em dezembro de 2022 foi inaugurada uma loja showroom no Mercado Novo de BH onde eram comercializados objetos forjados e facas de fabricação própria. O ano de 2023 foi de mudanças, na percepção dos empreendedores, o fluxo de pessoas para compras em 2022 foi diminuído. Em função disso foi realizado um replanejamento do negócio com o objetivo de aproximá-lo ao público frequentador que buscava o mercado basicamente para experiências em gastronomia.

Assim nasceu a Taverna Ficker, com o objetivo de buscar explorar nova atividade comercial conectando com a vocação do MN, um espaço temático medieval com a venda de comida e bebida, Folk music e uma atmosfera rústica agregada à atividade de produção artesanal e comercial dos forjados e da cutelaria.

Já fazia parte do planejamento do negócio uma expansão para a realização de eventos no tema medieval, principalmente usando o espaço do ateliê em um horizonte de médio prazo. A ideia foi levar um espaço gastronômico que oferecesse carnes e porções, drinks e chopp em uma ambientação mais rústica, ao estilo das tavernas antigas revisitado. Carnes assadas de porco e frango servidos com molhos e complementos no estilo da comida medieval. Drinks com hidromel, vinho, sidra, steinhaeger e outros elementos da época. Espadas, machados, cutelos e facas foram colocados em expositores em espaços dentro da loja, tanto para ambientação como para a venda. Em setembro de 2023 foi realizada alteração no cadastro MEI com CNAE adequado para o novo segmento.m 2024 a Taverna rodou bem, em 2025 houve novamente mudança no público frequentador do mercado, nesse momento mudando a faixa etária para uma concentração muito grande do público de 15 a 25.